Danças a dois como a gafieira e o zouk são um ótimo começo para se livrar do julgamento social, tomar posse do seu corpo e cuidar da mobilidade dele para ter saúde
Durante muitos anos no processo de dar aula de dança e atender mulheres que chegam na escola de dança para se matricular já se auto intitulando “sou dura para dançar”. Posso dizer que a pergunta que sempre esteve na minha mente foi essa: você é dura pra dançar ou é a pressão social que te prende, o julgamento das pessoas próximas?

A pergunta estava aqui na minha mente...mas eu não podia dizer naquele momento pra não espantar a possível aluna… por incrível que pareça as pessoas se acostumam tanto a se sentirem presas, com a falsa ilusão de aprovação ou desaprovação das outras pessoas que quando alguém questiona sua “prisão” elas tentam se defender de uma possível ameaça. E de qual ameaça elas se defendem? A de viver plenamente, dançar, mexer o corpo, ter saúde, dançar junto com alguém de maneira sensual e, ao mesmo tempo, respeitosa, sem se preocupar com o julgamento alheio. Mas agora percebo que deveria ter dito: seu corpo é seu, ele te pertence, e o que você faz com ele não é problema de mais ninguém, somente seu...E a solução para os problemas dele (seu corpo) também lhe pertence. Solução para quê? Solução para aquela sua dor na coluna, na lombar, nos joelhos, nos ombros, que provavelmente é causada por uma falta de mobilidade no teu corpo. Falta de alguma atividade física que lhe proporcione o prazer de se movimentar. Aquela sua dorzinha, seja por falta de mexer o teu quadril, seja por má postura, seja por trabalhar sentada o dia todo, seja por trabalhar em pé o dia todo, pode esconder também a “pressão social”. Algumas mulheres não se “atrevem” dançar por se sentirem culpadas, acuadas, tímidas ou inferiorizadas, ou porque seu namorado, marido, amigas ou familiares a fazem pensar que a mulher “correta de verdade”, “estudiosa”, “batalhadora”, “cuidadora”, “mãe exemplar” não expandem o corpo, não se movem, não rebolam, não gingam, não fazem movimentos sensuais, muito menos tudo isso dançando a dois.
Tá, mas e por onde começa a solução de um problema tão subjetivo? 1 - Você tomando posse do seu corpo Tome posse do que é seu e, principalmente cuide desse corpo, faz ele feliz e solto… não porque você precisa ficar bonita ou sensual para agradar ou desagradar alguém, mas porque uma sociedade inteira pode te julgar, teus amigos todos e namorado te abandonarem, a internet te “cancelar” e você ficar sozinha...mas se você cuidar de você mesma, nunca estará sozinha. Seu corpo é o único que vai te acompanhar até o fim da vida… ele é seu melhor amigo, seja amiga dele também.
2 - Respira! Sim, prestar atenção na sua respiração é o primeiro passo para você começar a prestar atenção no seu corpo. Comece tentando realizar pequenas tarefas do dia a dia como, levantar e sentar na cadeira ou cama e conferir como está sua respiração. Acostume-se a tomar fôlego, inspirar antes de fazer movimentos do cotidiano.
3 - Ouça música no banho
No banho, no carro, no busão... se a rotina do seu trabalho não te permite ouvir música, existem outros momentos em que você pode reservar um tempinho pra isso. A música vai estimular seu lado artístico e você vai sentir vontade de dançar ou mexer o corpo.
4- Dance em todos os lugares

Você pode dançar no ponto de ônibus ou na fila do supermercado sim, porque não? Alguém na rua por acaso paga as suas contas? Aqui você começa dar o primeiro passo para se livrar do julgamento alheio. Além disso, a mobilidade do seu corpo não começa na primeira aula de dança, começa na sua vontade de se mexer, sem regras. 5 - Porquê Gafieira ou Zouk ? Poucas danças de salão brasileiras estimulam tanto a mulher a mexer o corpo inteiro quanto o samba de gafieira e o zouk brasileiro. Essas duas danças podem te ajudar a soltar seu corpo inteiro para a dança, ganhar mais consciência corporal, mexer os quadris, o tronco, valorizar suas curvas, desenvolver a ginga e a suavidade que seu corpo é capaz de ter, e ainda aprender a técnica de dançar junto.
6 - Seu quadril se move na Gafieira, e isso é saúde
Na gafieira seu quadril se move em todas as direções: tanto para as laterais, dando uma forcinha no alongamento dessa região, quanto rotacionando, o que te ajuda a ganhar uma cintura mais delineada, fortalecendo também a região do abdômen. Movimentar o quadril fortalece os músculos que dão suporte ao restante do corpo e facilita movimentos como abaixar, levantar e pular. E o fortalecimento da pelve ainda ajuda a mulher nos movimentos do ato sexual e do orgasmo.
7 - Sensualidade, respiração e espaço entre os anéis da coluna com Zouk Vai ter gente na sua cabeça dizendo que zouk é sensual demais. E eu te pergunto, qual o problema de ser sensual? Quando alguém me fala da sensualidade, tenho a resposta na ponta da língua. Quero ser sensual sim! Faz parte da minha essência feminina, porém, com todo respeito… Sim porque, uma coisa não exclui a outra. Eu posso dançar de maneira sensual e ainda assim exigir respeito, tanto do meu parceiro de dança quanto da "platéia". Além de ser uma dança sensual, o zouk te proporciona naturalmente melhorar a mobilidade da sua coluna. Sim, porque é uma dança suave na qual você tem tempo para respirar, ganhando assim espaço entre os anéis da coluna. E como nessa dança, você mexe o corpo inteiro, ganha uma consciência corporal absurda.
Esse assunto ainda não acaba por aqui, mas pra não me estender muito finalizo dizendo: Todas as mulheres tem curvas lindas em seu corpo e elas podem se movimentar e produzir saúde e arte. É uma beleza natural, inocente e que faz parte da essência feminina. Mas quando ela se torna adolescente a sociedade ensina a esconder suas curvas, não explorar sua sensualidade através da dança para não provocar o desejo sexual nos homens. Vamos nos questionar um pouco. Quem está errado? Você que busca sua essência e sensualidade natural ou a sociedade que te oprime?